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Quaresma 2017

Data Postagem - 27/02/2017


No dia 1º de março, iniciaremos o período da Quaresma. O tempo da Quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive. É o tempo para preparar a celebração da Páscoa. "Tanto na liturgia quanto na catequese esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério pascal" (SC, nº 109).

A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, de reviver o nosso batismo, que a Igreja nos proporciona para preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrependermos de nossos pecados e de mudar de vida, correspondendo à graça de Deus que nos concede esse dom.

A Quaresma dura 40 dias: começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa à tarde. Ao longo deste tempo fazemos a nossa parte para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis, que devemos viver como filhos de Deus.

Trata-se de um tempo privilegiado de conversão, combate espiritual, jejum, abstinência, esmola, sacrifício, oração e escuta da Palavra de Deus. A característica fundamental e indispensável da Quaresma é a conversão da vida velha para darmos passos na nova vida em Cristo! O número “quarenta” é bíblico e cheio de simbolismos: os quarenta dias do Dilúvio, os quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, os quarenta anos de Israel no deserto, os quarenta dias do caminho de Elias até o Sinai e, sobretudo, os quarenta dias do Senhor Jesus no deserto, preparando sua vida pública, quando, após esses dias de jejum, é tentado pelo demônio. 

No segundo domingo da Quaresma, o mesmo Jesus que entrou na penitência dos quarenta dias aparece transfigurado com dois outros penitentes: Moisés e Elias! Aí aparece que a Lei e os Profetas se cumprem na vida de Cristo, o Messias Salvador. É tão bom isso, que Pedro quer construir três tendas!

Daí vem a importância de vivermos intensamente este tempo litúrgico nestes exatos quarenta dias para a penitência! É tão antigo que tem suas raízes na própria prática da Igreja apostólica.

A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal. A espiritualidade da Quaresma aparece em seu caráter essencialmente cristocêntrico-pascal-batismal. Este tempo litúrgico é caminho de fé-conversão para Cristo, que se faz servo obediente ao Pai até a morte de cruz. 

Na Quarta-feira de Cinzas, quando iniciamos a Quaresma, o Evangelho ao qual devemos crer ao nos converter, nos indica alguns caminhos da espiritualidade quaresmal: a Oração, o Jejum e a Esmola.

A oração – neste tempo os cristãos se dedicam mais à oração. Uma boa prática é rezar a liturgia das horas, o terço, a via sacra, fazer a Lectio divina seja individualmente, seja em comunidade. Outra sugestão pode ser diariamente rezar um salmo após a leitura orante da Palavra de Deus, ou, para os mais generosos, rezar todo o saltério no decorrer dos quarenta dias. É costume também rezar a Via Sacra às sextas-feiras e a reza diária do Santo Rosário.

Jejum – na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor recomenda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: “Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás”. Dado que todos estamos entorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para estarmos mais abertos à escuta da Palavra do Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar “para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus”. O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua proteção.

O Jejum pode variar muito de acordo com cada pessoa, e cada um deve escolher sua prática penitencial para este tempo. Por exemplo: renunciar a um lanche diariamente, ou a uma sobremesa, não comer carne às quartas e sextas-feiras, e tantas outras possibilidades. Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa os cristãos praticam o jejum e a abstinência: o jejum nos faz recordar que somos frágeis e que a vida que temos é um dom de Deus, que deve ser vivida em união com Ele. Os mais generosos podem jejuar todas as sextas-feiras da Quaresma. Mesmo durante o ano, existe a prática de, às sextas feiras, termos algum sinal penitencial.

Esmola - a Quaresma é tempo de mais um forte empenho de caridade para com os irmãos. A liturgia fala de “assiduidade na caridade operante”, de “uma vitória sobre o nosso egoísmo que nos torne disponíveis às necessidades dos pobres” (parte do prefácio da quaresma I e III). A verdadeira ascese exigida pelos textos bíblicos e eucológicos da Quaresma. Não há verdadeira conversão a Deus sem conversão ao amor fraterno (cf.1 Jo 4,20-21). A privação à qual o cristão é chamado durante a Quaresma, inclusive através do jejum corporal, exige que seja sentida como exigência da fé para tornar-se operante na caridade para com os irmãos. O jejum não tem significado em si mesmo, mas deve ser um sinal de toda uma atitude de justiça e caridade (cf. Is 1,16-17;58,6-7). De uma maneira muito especial, lembramos que no Domingo de Ramos temos a “coleta da solidariedade” como consequência às penitências quaresmais.

Portanto, Quaresma é um tempo propício para lutarmos contra os nossos defeitos mais arraigados. Podemos aproveitar esta época litúrgica para crescer em conhecimento próprio, fazendo um exame mais aprofundado da nossa vida para descobrir o que nos aproxima ou afasta de Deus. Depois, marcaremos metas palpáveis de melhora e nos esforçaremos por atingi-las. Se alguma vez falharmos, recorreremos com humildade e contrição ao sacramento da Penitência, e recomeçaremos com alegria. Aliás, essa é uma prática indispensável na Quaresma: a celebração penitencial ou da reconciliação, se possível muitas vezes durante este tempo. Se fizermos a nossa parte, que é lutar sempre confiantes na ajuda de Deus, Ele não deixará de nos conceder as graças necessárias para uma verdadeira conversão. E assim chegaremos renovados para a Páscoa da Ressurreição, vivenciando a nossa vida batismal.

Anotações:

1. Durante este tempo, é proibido ornar o altar com flores; o toque de instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o Domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem como as solenidades e festas.

2. A cor do tempo é roxa. No Domingo Laetare, pode-se usar cor-de-rosa (IGMR, n.308f).

3. Em todas as Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o Aleluia.

4. Nas solenidades e festas somente, como ainda em celebrações especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.

5. As memórias obrigatórias que ocorrem neste tempo podem ser celebradas como memórias facultativas (cf. Anotações Gerais 2.4). Não são permitidas missas votivas.

6. Na celebração do Matrimônio, seja dentro ou fora da Missa, deve-se sempre dar a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos que se abstenham de demasiada pompa.

Notas para a Quarta-feira de Cinzas:

1. Dia de jejum e abstinência.

2. Na Missa, depois do Evangelho e da homilia, se benzem e impõem as cinzas feitas de ramos de oliveira ou outras árvores, bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. O ato penitencial se omite.

3. A bênção e imposição das cinzas também podem ser feitas sem Missa; neste caso, oportunamente, precede uma Liturgia da Palavra, aproveitando o canto de Entrada, a Coleta e as leituras da Missa com seus cantos; depois da homilia, são bentas as cinzas e impostas, e o rito termina com a oração dos fiéis.

Fonte: Diretório da Liturgia 2017, CNBB, p.65-66
http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=18128:tempo-da-quaresma&catid=364&Itemid=204