Formação

 

MISERICÓRDIA - A PRÓPRIA ESSÊNCIA DA IGREJA

29/06/2017

Na conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia ,em 2016, o Papa Francisco nos trouxe as duas palavras de Santo Agostinho na descrição do encontro de Jesus com a adúltera ( Jo 8,1-11): "Ficaram apenas eles dois - a mísera e a misericórdia". Coloca esta página do Evangelho como ícone de tudo o que celebramos e indicador do que se há de continuar a celebrar e viver nas comunidades.


"Com efeito, a misericórdia não se pode reduzir a um parêntese na vida da Igreja, mas constitui a sua  própria existência, que torna visível e palpável a verdade profunda do Evangelho. Tudo se revela na misericórdia; tudo se resume no amor misericordioso do Pai." (Carta Apostólica Misericordia et Misera, n. 1)


Viver a misericórdia,pois, não pode ser algo facultativo na Igreja de Cristo, mas é o próprio coração do ser cristão. Deve pautar todas as decisões,iniciativas,ações e reações daquele que tem fé , sob o risco de comprometer a Boa Nova do Amor de Deus que se quer anunciar, não se tendo mais nenhum diferencial em relação ao que o mundo já pratica.


O Sucessor de Pedro ressalta a atitude de Jesus que reconduziu a lei mosaica ao seu objetivo originário genuíno:


"No centro , não temos a lei e a justiça legal, mas o amor de Deus que sabe ler no coração de cada pessoa incluindo o seu desejo mais oculto e que deve ter a primazia sobre tudo.(...) Jesus fixou nos olhos aquela mulher e leu no seu coração : lá encontrou o desejo de ser compreendida,perdoada e libertada. A miséria do pecado foi revestida pela misericórdia do amor."(...) "Ninguém te condenou? Eu também não te condeno. Vai e de agora em diante não peques mais'((Jo 8,10.11). Desta forma ajuda-a a olhar para o futuro com esperança , pronta a recomeçar a sua vida; a partir de agora, se quiser, poderá viver no amor(Ef 5,2).


O  ensinamento singular do próprio Cristo de que ninguém deve ser excluído do projeto do Reino,do abraço da misericórdia, da libertação do Amor gratuito que sabe perdoar, prescindindo da quantificação ou peso legal dos erros e pecados, para gerar conversão e resgatar a pessoa humana ,seja quem for , esteja onde estiver, tenha feito o que tiver feito. As entranhas de misericórdia do Pai que se inflamam de inclinação pelo pecador mais perdido, para que ele volte.


"O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar com toda a sua vida.(...) "Até nos últimos momentos da sua existência terrena, ao ser pregado na cruz , Jesus tem palavras de perdão: 'Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!


(Lc 23,34)"  (MM , n. 2).


Devemos todos aprender e reaprender esta valiosíssima lição , numa sociedade que incentiva cada vez mais violência e à vingança, mesmo dentro dos ambientes eclesiásticos, para refletirmos sempre mais o rosto do Mestre compassivo e fraterno, justo na misericórdia ,sempre investindo na dignidade do ser humano sempre  recuperável para a infinita graça de Deus! É preciso carregar a cruz de assumir o outro até que ele enxergue , converta-se, restaure-se e renasça!  O que será possível só com o Amor sacerdotal e  sacrificial do Redentor.


E conclui o Vigário de Cristo : "É por este motivo que nenhum de nós pode pôr condições à misericórdia; esta permanece sempre um ato de gratuidade do Pai celeste,um amor incondicional e não merecido.Por isso , não podemos correr o risco de nos opor à plena liberdade do amor com que Deus entra na vida de cada pessoa."


Pe Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça


Pároco de São José do Ribeirão - Bom Jardim
Assessor Eclesiástico da Pastoral da Comunicação da Diocese de Nova Friburgo