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COMUNICAR A ALEGRIA DO AMOR NA FAMÍLIA

18/08/2017

Mais uma rica palavra do nosso iluminado Papa Francisco ecoa nos campos da Igreja: a Exortação Apostólica Amoris Laetitia , tratando da alegria do Amor na Família, que é a conclusão de uma longa jornada de reflexão com os bispos durante dois sínodos em 2014 e 2015..Com uma introdução e nove capítulos, o Papa trata do tema em 325 números , com uma abertura inspirada na Sagrada Escritura, considerando a partir daí a situação atual das famílias, lembrando a seguir alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família, dedicando depois dois capítulos ao Amor. Destaca, em seguida, alguns caminhos pastorais que nos levem a construção familiar sólida e fecunda, conforme o plano de Deus, com um capítulo especial para a educação dos filhos. Faz após "um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe". No final traça breves linhas de espiritualidade familiar, concluindo a Exortação com uma Oração à Sagrada Família.


Todas as famílias , sem exceção, são oportunidades e não problemas, afirma o Papa ( n. 7). Falar da família é falar de uma boa notícia (n. 1). Insiste na sua beleza, missão e valor , inclusive a incompleta ( nn. 296-300 ) . Reafirma a ideia central de que a família é o lugar de realização e de amor , mesmo tendo falhas e limitações.Crê que ela é espaço de felicidade sempre e encoraja a todos a apreciar os dons do matrimônio e da família, a uma convivência familiar. Reflete sobre a dignidade do casal ( homem e mulher ) e da família na Sagrada Escritura, a união conjugal que os leva a "tornar-se uma só carne" , quando se tornam "mestres da fé para seus filhos", devendo educá-los, destacando-se nas famílias a virtude da ternura, nestes "tempos de relações frenéticas e superficiais"(n.28). Estas são as temáticas do primeiro capítulo (nn.8-30).


Num segundo capítulo (nn. 31-57), é apresentado o quadro atual da família e seus desafios, as luzes e sombras da instituição familiar. Por um lado , mais liberdade e distribuição das tarefas em casa ,com uma comunicação pessoal valorizada. Por outro, os elementos que desagregam e destroem: individualismo, pressa e estresse, desvalorização do matrimônio, a cultura do provisório, a afetividade sem limite, o enfraquecimento da fé e da prática religiosa. Manifesta grande preocupação pra com as questões delicadas como o abuso sexual de crianças, as migrações, a miséria e a exclusão, as pessoas com deficiências e os idosos. Ressalta também os desafios como a violência, a desconstrução jurídica da família, a negação da diferença e da reciprocidade natural entre homem e mulher, o desemprego.


Há uma profunda reflexão no terceiro capítulo sobre os ensinamentos de Jesus e da Igreja sobre a família , o valor do matrimônio(nn .61-75). O Papa Francisco apresenta a presença divina, as "sementes do Verbo" , nas situações de imperfeição. E "o olhar de Cristo , cuja luz ilumina cada homem"( Jo 1,9; Gaudium et Spes n. 22) que "inspira o cuidado pastoral da Igreja pelos fiéis que simplesmente convivem ou que só contraíram o casamento civil, ou então que são divorciados recasados. Na perspectiva da pedagogia divina, a Igreja dirige-se com amor a quantos participam da vida dela de modo imperfeito: invoca com eles a graça da conversão, encoraja-os a realizar o bem, a cuidar com amor um do outro e a por-se a serviço da comunidade na qual vivem e trabalham..."( n. 78). E relembra aos Pastores: " Diante de situações difíceis e de famílias feridas, é necessário recordar sempre um princípio geral: ' Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações' ( Familiaris Consortio n. 84).O grau de responsabilidade não é igual em todos os casos e podem existir fatores que limitam a capacidade de decisão. Por isso, enquanto se deve expressar claramente a doutrina, é preciso evitar juízos que não levam em consideração a complexidade das diversas situações,e é necessário prestar atenção ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição"(n.79).Exalta também o matrimônio como "íntima comunidade de vida e de amor conjugal que constitui um bem para os próprios esposos e a sexualidade está ordenada para o amor conjugal entre o homem e a mulher". E ,por isso, a vida conjugal cheia de sentido humano e cristão pode ser concretizada pelos "esposos a quem Deus não concedeu ter filhos"."Contudo, essa união está ordenada para a geração 'por sua própria natureza" (n. 80). Ressalta ,ainda : "É preciso redescobrir a mensagem da Encíclica Humanae Vitae do Beato Paulo VI que sublinha a necessidade de respeitar a dignidade da pessoa na avaliação moral dos métodos de regulação da natalidade(...) A escolha da adoção e do acolhimento exprime uma fecundidade particular da experiência conjugal. E completa: "Com particular gratidão.a Igreja apoia as famílias que acolhem ,educam e rodeiam de carinho os filhos portadores de necessidades especiais." (n. 82). Rejeita, com firmeza, o aborto, a eutanásia e a pena de morte. "...se a família é o santuário da vida , o lugar em que a vida é gerada e cuidada, constitui uma contradição pungente fazer dela o lugar em que a vida é negada e destruída" E recorda a obrigação moral de objeção de consciência àqueles que trabalham nas estruturas de assistência de saúde (n.83). Conclui, reafirmando que a Igreja "é chamada a colaborar com uma ação pastoral adequada , para que os próprios pais possam cumprir a sua missão educativa" (n. 85 ) a começar pela iniciação cristã, através de comunidades acolhedoras , lembrando que "a educação integral dos filhos é, simultaneamente, 'dever gravíssimo' e ' direito primário' dos pais"(n. 84). " A Igreja é família de famílias constantemente enriquecida pela vida de todas as igrejas domésticas"(n. 87).


Continuaremos refletindo sobre a Amoris Laetitia e sua riqueza nos próximos artigos, comunicando a alegria do amor na família.


Pe Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça


Pároco de São José do Ribeirão - Bom Jardim
Assessor Eclesiástico da Pastoral da Comunicação da Diocese de Nova Friburgo
Assessor Eclesiástico da Pastoral da Familiar da Diocese de Nova Friburgo